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O acordo quase histórico da Galp Energia

A petrolífera é a principal responsável pela abertura do mercado venezuelano às empresas portuguesas.

A presença da Galp Energia na Venezuela pode vir a tornar-se num marco histórico, tanto para a empresa de Manuel Ferreira de Oliveira como para Portugal. Para a Galp, vai contribuir para atingir os objectivos propostos na área do abastecimento, que passam por fornecer 100% do petróleo consumido em Portugal - qualquer coisa como 300 mil barris de petróleo por dia. A Portugal permitirá equilibrar a balança comercial entre os dois países, passando dos 17 milhões de euros exportados actualmente para 200 milhões.

Tudo começou em Outubro do ano passado, quando a Galp assinou um memorando de entendimento com a Petróleos de Venezuela (PDVSA) para a pesquisa e produção de petróleo e gás natural. No acordo ficou estabelecido que a companhia portuguesa ficará com uma participação minoritária, que poderá chegar aos 20%, e que lhe permitirá obter, no mínimo, 200 mil barris de crude por dia. A parceria, que poderá assegurar, para já, cerca de 30% das necessidades portuguesas de crude, arrancará com a certificação das reservas na região de Orinoco, o que demorará cerca de dois anos. Além disso, ficou ainda previsto que a Galp investisse em Sines num espaço de armazenagem para o crude vindo da Venezuela, o que permitiria à PDVSA reforçar a presença na Europa.

No entanto, este entendimento - que contou com o apoio diplomático da Fundação Mário Soares - precisava da aprovação do Governo venezuelano, mais precisamente do presidente Hugo Chávez. Foi nesta fase que as boas relações com Portugal e o mau momento vivido entre a Venezuela e Espanha (recorde-se que o rei Juan Carlos mandou calar Chávez), deram o empurrão para que o memorando de entendimento passasse a um acordo real e com efeitos práticos.

Em Novembro, Hugo Chávez visitou Portugal e reuniu com o primeiro-ministro José Sócrates para discutir a comunidade portuguesa na Venezuela, com o acordo da Galp com a PDVSA debaixo de olho. Nesse mesmo dia, o acordo entre as duas empresas foi formalizado. Mas este foi apenas o primeiro, ficando por assinar outros quatro documentos. Ferreira de Oliveira parte hoje para a Venezuela na companhia de José Sócrates. O primeiro, para fechar os restantes acordos. O segundo para ultimar o acordo comercial assinado entre os dois países em Março deste ano. Um entendimento que visa a troca de produtos e serviços de empresas portuguesas por petróleo da Venezuela, num valor que pode ascender aos 500 milhões de dólares (cerca de 323 milhões de euros), ou seja, o equivalente às previsões de importações da Galp Energia.

Os acordos da Galp com a PDVSA

O acordo assinado entre a Galp e a PDVSA para a exploração de petróleo na Venezuela contemplou também o abastecimento de gás natural liquefeito (GNL) venezuelano à Galp Energia, permitindo à empresa portuguesa adquirir dois mil milhões de metros cúbicos de GNL por ano.

Os restantes acordos serão assinados entre hoje e quinta-feira. Um deles, avançou ontem o Diário Económico, consiste em ter uma participação no terminal de gás natural liquefeito de Gran Mariscal Ayacucho, que actualmente pertence a 100% à PVDSA. Um projecto que contará com a presença do parceiro estratégico italiano da Galp, a Eni, que também já entrou na Venezuela em nome próprio, com um investimento ambicioso de 2,6 mil milhões de euros. O outro acordo diz respeito à concessão de um campo de exploração de gás natural 'off-shore' - fora da faixa petrolífera do Orinoco, mais precisamente em Mariscal Sucre - , e por fim, o último acordo vai permitir à Galp avaliar reservas petrolíferas naquela faixa, tendo como contrapartida a obtenção de direitos de exploração de vários blocos petrolíferos.

Tal como noticiou ontem o Diário Económico, em negociação está ainda a possibilidade de construção de um parque eólico de grande amplitude (com largas dezenas de 'megawatts') em troca da exploração de novos blocos petrolíferos. No entanto, este acordo ainda não é certo.

13/05/2008 | Ana Baptista, Diário Económico

Sabia que...

Sabia que apesar de metade da área terrestre da Venezuela se situar ao sul do rio Orinoco, esta região contém apenas 5% da população.

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