imagem de topo Missão Venezuela 2008

Galp abre mercado venezuelano aos portugueses

São quatro acordos da Galp que abrem a porta às exportações de empresas portuguesas.

Promete ser uma das principais apostas da Galp fora de porta. A petrolífera portuguesa está a negociar uma participação no terminal de gás natural liquefeito que actualmente pertence a 100% à Petróleo da Venezuela (PVDSA). Para este projecto vai ser criado um consórcio que contará também com a presença do seu parceiro estratégico italiano, a Eni, apurou o Diário Económico. Este será um dos pontos altos da visita oficial do primeiro-ministro à Venezuela que se inicia amanhã e que começará com a assinatura de um acordo entre os dois países tendo a Galp como interlocutor principal. O acordo - em negociação desde Novembro e que é complementar ao acordo quadro de cooperação que já existe desde 1994 - estabelecerá a compra de produtos e serviços portugueses por parte da Venezuela em contrapartida das importações de petróleo que a Galp fará à Petróleos da Venezuela Importações essas que deverão rondar os 30 mil barris anuais. Apesar de não ter valores específicos, a ideia é que cerca de um terço do valor das importações da Galp sirva para pagar as exportações nacionais. Fontes governamentais apontam para montantes na ordem dos 400 milhões a 500 milhões de dólares (entre 258 e 323 milhões de euros). A Caixa Geral de Depósitos foi o banco escolhido para esta operação, garantindo assim liquidez aos fornecedores portugueses.

Mas o papel central da Galp nesta visita - que conta com uma forte presença ministerial e uma comitiva de 80 empresários - prosseguirá com a assinatura de mais três acordos. A empresa está ainda a negociar a concessão de um campo de exploração de gás natural 'off-shore' - ou seja, fora da conhecida faixa petrolífera do Orinoco, onde deverão ser assinados fisicamente estes acordos na quarta-feira.

Mas, até ao final desta edição, ainda não estava definido qual o bloco visado. A petrolífera nacional prepara-se igualmente para formalizar um acordo de princípio para a avaliação de reservas petrolíferas, tendo como contrapartida a obtenção de direitos de exploração de vários blocos petrolíferos. O Diário Económico apurou ainda que está em negociação a possibilidade de construção de um parque eólico de grande amplitude (com largas dezenas de megawatts) em troca da exploração de novos blocos petrolíferos. Este acordo não é, no entanto, certo, já que houve pouco tempo para desenvolver os termos do contrato, mas a Galp está numa posição confortável. Um dos seus trunfos é a participação na Ventinvest. Este consórcio, que integra a Galp, Martifer e Enersis, ganhou um dos concursos para construção de parques eólicos em Portugal, devendo em breve iniciar a produção de aerogeradores.

A base de toda a visita e o sucesso da mesma assenta no acordo de compra de crude por parte da Galp e da criação da conta-corrente já referida, o que está a abrir múltiplas oportunidades de negócio às empresas nacionais, contribuindo para melhorar a balança comercial entre os dois países, altamente deficitária para Portugal. Os 17 milhões de euros exportados actualmente, facilmente poderão atingir os 200 milhões de euros graças aos cerca de 15 milhões que a Sovena (óleos alimentares) vai exportar e às vendas de cinco milhões previstas pela Cerealis (massas alimentícias), entre outros acordos comerciais (ver texto ao lado).

EMPRESÁRIOS NACIONAIS COM INTERESSES NA VENEZUELA

ALFREDO DE MELLO

Nutrinveste

O grupo vai renovar o acordo que mantém com o Governo de Chávez para a venda de óleo de soja, que deverá ascender a 15 milhões de euros. O aumento das exportações de alguns azeites também faz parte das intenções. Oliveira da Serra está há décadas no mercado.

LUIS FILIPE PEREIRA, Efacec

A empresa liderada por Luís Filipe Pereira está fortemente interessada neste mercado. Acaba de fechar um contrato para o fornecimento de aparelhagens de alta e média tensão com a empresa de distribuição de electricidade da venezuela Cadafe, no valor de cinco milhões de dólares.

ANTÓNIO MOTA

Mota-Engil

A Mota participa num consórcio para a reconversão do principal porto de Caracas. António Mota elogia o acordo que o Governo vai assinar, pois "dá muitas perspectivas às empresas portuguesas", permitindo que "as empresas que lá estão se juntem às que não estão".

DIONISIO PESTANA Grupo Pestana

José Sócrates vai inaugurar o hotel em que ficará alojado em Caracas. O Pestana Caracas é um hotel de cinco estrelas, com 197 quartos, que envolveu um investimento de 22 milhões de euros. É o primeiro investimento do grupo Pestana na Venezuela.

THEBAR MIRANDA Grupo, Azevedos

A farmacêutica Azevedos quer ser um dos fornecedores de medicamentos do serviço nacional de saúde venezuelano. Além disso, a empresa está a desenvolver parcerias com empresas locais para o licenciamento de alguns medicamentos.

PAULO PAIVA DOS SANTOS, Generis

A Generis tem como objectivo exportar cerca de 25 milhões de euros de genéricos para a Venezuela. O acordo que está a ser negociado por Paulo Paiva dos Santos prevê a venda de medicamentos para o colesterol, antibióticos e antiretrovirais.

GONÇALO QUADROS

Critical Sotware

A Critical Software vai "aprofundar contactos já iniciados" com potenciais clientes e parceiros para entrar no mercado da energia, disse Filipe Freitas, gestor de Desenvolvimento de Negócio para área de 'Energy & Utilities', mas "ainda não está na fase de assinar acordos".

12/05/2008 | Ana Maria Gonçalves e Mónica Silvares, Diário Económico

Sabia que...

Sabia que a Venezuela tem cerca de 96.000 km de auto-estradas, 13 portos e mais de 100 aeroportos.

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