
Despedida. Chávez disse que espera receber Manuel Pinho e empresários portugueses.
Portugal vai enviar uma missão ministerial e empresarial à Venezuela, para definir as "vastas" áreas de cooperação que se abriram com a estada do Presidente venezuelano a Lisboa.
"Assim que for possível, o ministro da Economia português vai visitar a Venezuela com um grupo de empresários", informou Hugo Chávez antes de abandonar Lisboa na madrugada de ontem.
A Sócrates, Chávez lembrou que a Venezuela "precisa do investimento de empresas portuguesas sérias que contribuam para o desenvolvimento dos caminhos-de-ferro, auto-estradas, novas cidades, habitação, novos projectos agrícolas, sistemas de rega, enfim, um mundo de coisas".
Sobre o encontro com Sócrates, Hugo Chávez não poupou os adjectivos: "Foi um encontro extraordinário e maravilhoso. Falámos de muitos temas, de intercâmbio entre Portugal e a Venezuela, sobretudo dos mecanismos de cooperação bilateral", sublinhou.
"Solicitámos apoio ao primeiro-ministro, a Portugal, na área da alimentação, sobretudo no envio de alimentos, transferência tecnológica para a produção de alimentos, para o desenvolvimento técnico e científico da nossa agricultura", afirmou.
"Penso que é bom que as relações que o primeiro-ministro português tem com Chávez sejam de amizade. Obviamente, é melhor ser abraçado por Chávez do que ser chamado de Diabo", afirmou o embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Alfred Hoffman Jr., em declarações à agência Lusa.
Questionado sobre o encontro de Chávez com o primeiroministro português, o embaixador norte-americano disse ter a certeza que Sócrates "não estaria a comprometer os padrões de relacionamento que teria com qualquer outro país".
"Gostaríamos certamente de ter essa relação com o presidente Chávez, se ele estiver disposto a sentarse, negociar e discutir, de forma civilizada e com mútuo respeito, os temas que queríamos discutir direitos humanos e liberdades", assinalou o embaixador.
"Bem, parece que Espanha e EUA estão na lista do Diabo e Portugal está na lista dos abraçados", comentou Hoffman, numa alusão ao conflito de Chávez com o rei de Espanha e ao facto de Chávez já ter chamado Diabo a Bush.