
Ferreira de Oliveira encontrou-se às 6h00, na portela, com Chávez.
Hugo Chávez atrasou-se , ontem, cerca de duas horas, para o encontro com José Sócrates. Mas não foi o primeiro atraso. Às 3.30 horas da madrugada do último sábado, hora a que estava prevista a chegada do voo de escala do presidente venezuelano, Ferreira de Oliveira, CEO da Galp, esperava, numa sala do aeroporto de Lisboa, para assinar o acordo energético. Mas o voo atrasou e Chávez chegou três horas depois.
Ferreira de Oliveira esperou e o acordo acabou por ser assinado, sábado, quando já passava das 6h da manhã. Apesar de todos os contratempos, Ferreira de Oliveira afirmou: "este é um grande dia para a Galp", assumiu, sublinhando o facto de hoje ser comemorado o 10º aniversário da chegada do gás natural a Portugal. "Dará frutos entre 2011 e 2013", garantiu o CEO da Galp.
O acordo entre a Galp e a Petroleos da Venezuela (PDVSA) para avaliação e análise de projectos e a participação em negócios no sector do Gás Natural Liquefeito (GNL) e, em concreto, no projecto de liquefacção do Gran Mariscal de Ayacucho, foi assinado ontem, aproveitando a visita de Hugo Chávez.
O ministro da Economia Manuel Pinho, apoiou a assinatura deste acordo com dimensão "comercial e operacional".
"Este é apenas o primeiro acordo entre as duas empresas", informou o ministro da Energia e presidente da PDVSA, Rafael Carreño. "Estamos a trabalhar em contratos de longo prazo para fornecimento de petróleo e queremos partilhar infra-estruturas tanto na Venezuela como em Portugal", acrescentou, referindo-se à armazenagem estratégica em Sines, para o petróleo oriundo da Venezuela.
Os analistas venezuelanos consideram que Hugo Chávez fará uma forte aposta em Portugal como forma de condenar Espanha pelos recentes acontecimentos na Cimeira Ibero-Americana. Mas Rafael Carreño aproveitou para deixar o recado: "a Venezuela vai cumprir de "forma responsável" o papel de um dos maiores fornecedores energéticos mundiais, com reservas por comprovar de 260 mil milhões de barris que serão adicionadas aos 100 mil milhões de reservas já provadas.
Um terço das necessidades portuguesas
Os analistas do sector energético consideram o acordo formalizado entre a Galp e a Petroleos da Venezuela positivo para a petrolífera portuguesa, que "estrategicamente" fica com mais uma alternativa no abastecimento de gás natural. O objectivo da Galp é construir com a Petroleos da Venezuela uma parceria semelhante a que tem com a Petrobrás e a Sonangol. "Quero uma aliança de longo prazo", defenderam os protagonistas do acordo.
Em termos de impacto das acções da empresa, os analistas consideram que o impacto positivo já tinha sido incorporado nos títulos quando foi assinado o memorando de entendimento no dia 2 de Outubro entre as duas empresas "na área da exploração, produção e abastecimento de petróleo e gás". Pormenores do acordo
A Galp poderá agora adquirir uma quantidade equivalente a 2 mil milhões de metros cúbicos/ano de GNL. Esta aquisição será sujeita a uma avaliação económica que determinara um preço de venda competitivo para o mercado europeu e que permita a criação de valor para as duas empresas.
A participação da petrolífera portuguesa, na empresa mista que irá constituída será determinada em função do interesse do projecto, das quantidades de GNL que a Galp venha a adquirir e dos resultados das avaliações económicas.
Este acordo prevê ainda a participação de 20% da Galp em projectos de exploração e produção de petróleo na faixa petrolífera de Orinoco.