
Sócrates e Chávez querem aprofundar relações
Afecto, confiança, tranquilidade e estabilidade foram as palavras mais usadas, ontem à noite, por José Sócrates e Hugo Chávez, na única declaração conjunta que proferiram, em S. Bento, antes do jantar, para o qual foi convidado o antigo presidente da República Mário Soares. A conferência de Imprensa prevista para depois do encontro foi cancelada.
O primeiro-ministro português agradeceu a Chávez os "permanentes elogios aos portugueses que vivem na Venezuela. O presidente venezuelano respondeu que não poderia ser de outro modo, porque, disse, "somo parecidos, temos o riso fácil e damos a mão com o coração". Além disso, lembrou que são os portugueses quem "alimenta" os venezuelanos. "Como diz o ditado, de barriga cheia, coração contente", acentuou Chávez, numa alusão à actividade principal da comunidade portuguesa, a panificação.
Foi neste tom cordial e informal que Sócrates considerou não haver "qualquer razão para que não seja aprofundado o relacionamento comercial entre os dois países". E reforçou a ideia de que os portugueses contribuem para o desenvolvimento da Venezuela, esperando, por isso, que o Governo de Caracas garanta à comunidade "mais tranquilidade, mais confiança e mais estabilidade".
Chávez admitiu que existe "uma dívida" por cobrar. É que, explicou, "as relações comerciais estão muito abaixo do relacionamento entre os povos". "Por isso aqui estamos", garantiu, usando o característico "tu" castelhano ao dirigir-se a Sócrates. Mas quando falou do antigo presidente da República, que o foi receber ao aeroporto, Chávez lembrou as vezes que "D. Mário" o visitou em Caracas. Foi ainda no aeroporto que Chávez, já sem cortesias, voltou a exigir"desculpas" ao rei Juan Carlos, de Espanha, por este o ter mandado calar na cimeira ibero-americana do Chile.
Fonte segura de energia
À chegada ao aeroporto de Figo Maduro, Hugo Chávez garantiu que "a Venezuela quer ser fonte segura de energia para Portugal". "Nós não somos egoístas", foi o comentário ao acordo assinado ontem entre a Galp e a Petroleos da Venezuela, para o desenvolvimento de projectos conjuntos na área do gás natural liquefeito, ao abrigo do qual a petrolífera portuguesa poderá vir a adquirir à Venezuela dois mil milhões de metros cúbicos por ano. A Galp Energia espera começar a receber gás da Venezuela em 2013.