imagem de topo Missão Venezuela 2008

Sabia que...

Sabia que a Venezuela tem 27,3 milhões de habitantes.

Relação entre Portugal e a Venezuela

O processo de industrialização que teve início na Venezuela nos começos do século XX, estimulou a ida duma importante vaga migratória proveniente da Europa, especialmente de espanhóis, italianos e portugueses. Na década de 70, cidadãos oriundos do sul do próprio continente americano contribuíram também para a definição de uma população venezuelana actualmente bastante heterogénea. Os portugueses estão na Venezuela desde a época dos descobrimentos (1492): o português João Vizcaino era piloto na expedição que fizera Alonso de Ojeda. Durante o período da colonização do território, destaca-se o nome de João Fernandes de Leão e Pacheco, fundador da cidade de Guanare. Uma filha deste ilustre português casou com D. Simón Bolívar, bisavô do libertador Simón Bolívar.

Se visitarmos o famoso monumento do "Campo de Carabobo" (Valência) erguido em honra da mais decisiva das batalhas pela independência nele poderemos ler gravados, os nomes de alguns bravos portugueses que lutaram durante a guerra contra a potência colonial. Hoje os portugueses na Venezuela somam cerca de 480.000 pessoas, sendo 75% natural da Região Autónoma de Madeira — número considerável tendo em atenção o somatório de habitantes residentes na ilha que é de aproximadamente 270.000 pessoas —, havendo contudo alguns contingentes oriundos do Porto e de Aveiro. Esta comunidade formou-se principalmente a partir dum grande número de imigrantes que chegou ao país nas décadas de 50, 60 e 70. Mesmo que distribuídos por todo o território nacional, a grande maioria está concentrada em grandes cidades como Caracas e Valência.

Espalhados pelas mais diversas profissões encontramos entre os luso-venezuelanos alguns grandes empresários, reconhecidos arquitectos e engenheiros, proeminentes advogados, economistas, professores, médicos, padres, militares e alguns (poucos) políticos. Mas o comércio constitui, sem dúvida, a principal actividade desenvolvida pêlos portugueses na Venezuela. Como expoente máximo desta realidade, temos a grande cadeia de supermercados Central Madeirense, um dos maiores grupos económicos da Venezuela, cuja actividade neste momento está descentralizada para a banca (Banco Plaza na Venezuela e Ocean Bank nos EUA), agropecuária e construção civil. Em Caracas encontramos grandes hotéis, famosos restaurantes, extensas áreas comerciais, excelentes night clubs, lojas de roupa, sapatarias, lojas de ferragens, agências de viagens, quiosques, tabacarias, bombas de gasolina, peixarias, talhos, cervejarias, venda de acessórios de automóveis, pertencentes a portugueses. No país, os portugueses são os proprietários de aproximadamente 80% do total das padarias e 60% do total das mercearias.

No sector agrícola os portugueses tem um papel muito importante ao nível da produção e distribuição. Neste sector destacam-se as produções de cana-de-açúcar, arroz, mandioca, batata, tomate e frutos, em especial a banana e laranja. No sector da pecuária, embora em menor escala, a criação de gado bovino e a criação de suínos "cochineras", encontra-se nas mãos de alguns portugueses, especialmente nos estados Miranda, Arágua e Lara.

O português na Venezuela é visto como o comerciante especulador, pelo que constitui um alvo fácil para a agressão por parte das massas populares descontentes e revoltadas. Em 1989, durante o "caracazo" muitos comerciantes portugueses foram vítimas de ataques pela multidão enfurecida. Muitas propriedades de portugueses foram saqueadas e destruídas. A actual situação de instabilidade política e económica que vive "La República Bolivariana" de Hugo Chávez preocupa a comunidade portuguesa que vive e trabalha neste país. O movimento associativo tem grande expressão no seio da comunidade portuguesa na Venezuela. Existe em quase todas as grandes cidades venezuelanas um Centro português. O maior de todos é o Centro Português de Caracas, o maior centro português do mundo, que nos dias mais festivos chega a ser frequentado por cerca de 10 mil pessoas. Estes centros funcionam também como pólos de ligação e criação de lobbies, em especial os de cariz económico. Sendo locais por excelência de óptimo convívio e frequentemente visitados pela "fina flor" da política venezuelana, a Comunidade (com significativo peso económico) transforma-se num verdadeiro grupo de pressão na hora de definir políticas que mexem com os seus interesses. O ensino da língua portuguesa tem sido uma das principais reivindicações dos portugueses na Venezuela.

Extracto do artigo “Os portugueses nas Américas: Venezuela, Canadá e EUA” publicado na revista Janus

Nancy Gomes

Portal do Governo 2008